21 de mai. de 2007

Minha vida

A vida... E a vida o que é, diga lá meu irmão....
Eu não sei não, mas sei que a minha é ... também não sei. Quando tinha 14 anos, achava que minha vida era o meu namorado André, ele era tudo pra mim. Não sabia pensar em outra coisa: André, André, André. Depois era curtir... Não estava nem um pouco preocupada com nada, não estudava muito, me sentia rejeitada pela adolescência preconceituosa do colégio, e não ligava pra nada nem pra ninguém. Nem pro coitado do meu ex-namorado Paulo. Coitado... Gostava tanto de mim.. Sofreu tanto quando eu terminei... Mas fazer o que, né?! Eu conheci o Marcos, que era muito gatinho e paulista, com aquele sotaque super sexy... E vivi três anos como se eu fosse a pessoa mais feliz do mundo. Achava que tinha descoberto o que era relacionamento sério, que eu ia casar com ele porque ele nunca me trairia.
Até que fui enxergando que a vida não era só isso. Não eram só namorados, festas, amigos... Eu tinha que ser alguém na vida. Tava no terceiro ano, meu deus!! A única oportunidade de ser alguém, de conquistar um espaço na vida e de me reconhecer enquanto adulto, ser pensante...
Então larguei o Marcos. Larguei mesmo, já fazia um tempão que usava ele como step, traía, não tinha paciência... Também ele não ia (e provavelmente não vai mesmo) ser ninguém, sem estudo, sem trabalho... Parado no tempo.
Então entrei na faculdade... Meu Deus, o ápice. Família toda orgulhosa, todo mundo enchia a boca pra dizer que a Débora passou na federal para Psicologia e em duas particulares para Direito. Todos os olhares se voltam para mim... Tirei carteira de motorista, tinha dinheiro, estava na faculdade, estava mais bonita... Nunca me senti tão bem.
Então conheci o Bruno... Fevereiro de 2003... Essa história rendeu... Marcou... Espero que tenha acabado (mas essa palavra é muito forte)... Espero que tenha passado, o que não significa que acabou, porque ainda deixou muitas marcas de felicidade, dor, amor, ciúme, amor...
Aprendi a ser organizada, responsável, a pensar no futuro. A valorizar minha família, a odiar os favelados que são pobres, não fazem nada pra mudar isso e ainda culpam, roubam e matam aqueles que trabalham duro. Aprendi a gostar de coisas boas, a valorizar a simpatia, a tratar bem as pessoas, a ser forte, madura, a mostrar confiança em mim mesma. Aprendi a duvidar das pessoas, a não confiar tanto nos amigos, a dirigir bem, a saber o nome das ruas, a prestar atenção nos detalhes das coisas e da vida... A fazer tudo muito bem feito.
Se isso tudo foi com ele, eu não sei, mas que no período que eu convivi com ele foi que aprendi todas essas coisas, eu tenho certeza. E ele é assim, ou pelo menos se mostra assim. E é assim que eu quero ser.

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